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A arte de amar, de Ovídio - Um livro para reflexão
Reli estes dias o livro “A arte de amar” do poeta Ovídio, considerado um mestre do amor, e retirei pequenos fragmentos que gostaria que vocês refletissem, e muito, em especial às mulheres sobre as considerações do poeta. Escritor da felicidade, uma espécie de utopista feliz, poeta do corpo, o que sabemos é que suas idéias atravessarão os tempos e irão repercutir intensamente na Idade Média e o Renascimento. O escrito dele sobre as mulheres tem que entendido dentro do contexto da época, e nesse sentido ele é revolucionário.
Na verdade o livro -A arte de amar- se divide em três: “o primeiro tem como tema a sedução, sendo a mulher um animal de caça consentida de antemão, e o homem, um caçador facilmente enganado, é extraordinário ver o autor conferir à mulher, concebida como objeto, uma sensualidade verídica, verdadeira, pelo menos igual à do homem: esse direito ao prazer vai, durante séculos, ser esquecido. O segundo livro trata do amante, e procura ensiná-lo não somente a maneira de conquistar sua amante, mas principalmente como mantê-la, e eis aí, como dizer o essencial, a forma de transformar o furor físico em ternura contínua e segura. Não é a qualquer arte do prazer que Ovídio dirige sua atenção, mas a uma prática da constância e do respeito. No terceiro livro, ele é mais contundente ainda: falando da mulher, ele se dirige à mulher: faz dela uma “pessoa”. Não a admoesta, a destaca. Subitamente, ela tem direito à palavra e as brasas do sexo. Claro, é esse terceiro livro que os avatares e as duplicidades da História vão desconhecer e renegar”.
Sabemos que nos tempos atuais (graças a Deus) não há mais espaço para as relações de casais, tipo 2:1, onde um tem direitos e deveres (homem) e a outra pessoa (mulher) tem apenas deveres. Hoje, tem que ser 2:2, tudo dentro do conceito de equidade de gênero, buscando sempre condições de igualdade entre os sexos. Porém, o que devemos achar da situação (muito freqüente, aliás) de um homem querer sexo e acreditar que sua parceira deve estar sempre à sua disposição, ou quando ela aceita se submeter à ele para não perdê-lo. Neste momento, vem à minha memória uma frase do grande Mário Quintana: “O passado não reconhece seu lugar; está sempre no presente”.
Da mesma maneira que não é cabível a existência de racismo, é inconcebível qualquer manifestação de sexismo (discriminação entre os sexos). Um basta ao sexismo.
Ovídio “não ensina o sentimento, mas a habilidade; não o amor, mas a sedução”. Podemos concordar que na arte de amar a pessoa deva dotar-se de algumas habilidades para seduzir, porém não acredito que elas estejam ligadas a desempenho e sim, a uma única habilidade- a de saber ser carinhoso. E acredito também que o amor, como a inteligência e a felicidade possam ser aprendidas.
Gerson Lopes