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Aprendendo a amar, namorando
Somos criados para uma sexualidade desvinculada do amor. É no namoro que se constrói o amor.
Dessa forma, o homem é treinado socialmente para exercitar sua sexualidade desde cedo. E a mulher ainda é criada como se sua sexualidade fosse voltada para a maternidade.
É no namoro que se aprende a amar, quando o encontro do interesse sexual desperta a paixão e possibilita a construção de algo mais sólido que é o amor.
O que é necessário para aprender a amar namorando? Gostamos sempre de repetir que é preciso desenvolver três habilidades, todas elas coincidentemente iniciadas com a letra H. O desenvolvimento dessas habilidades facilita o processo de aprendizagem do amor.
H de humor. Quem não sabe brincar, não sabe amar. Essa foi a frase que ouvi em uma película dita pelo personagem Michael, vivido por John Travolta, personificado como um anjo que veio à terra para ensinar a um homem durão a arte do amor.
H de humildade. Condição essa fundamental no aprendizado do amor. Não existe aprendizagem sem humildade. E amor, se aprende.
H de honestidade. Com seus próprios sentimentos e em relação aos sentimentos do outro. A dissimulação das emoções é comumente vista como habilidade de negociação, mas na verdade dificulta todos os processos de relacionamento verdadeiros e mais ainda dentro de um contexto amoroso.
Wolber de Alvarenga, terapeuta e poeta mineiro, assim coloca a relação amor, envolvimento, criação e vida:
- Cuidar para amar
- Amar para envolver
- Envolver para criar
- Criar para viver.
Ou, como na música cantada por Caetano Veloso: “Quando a gente gosta é claro que a gente cuida...”
Ao mesmo tempo o amor só se desenvolve e expressa de maneira espontânea e generosa, não devendo existir expectativa de retorno, e sim, reciprocidade. Volto a dizer que não há amor só de um lado por muito tempo, quando isso acontece, pode-se ter a certeza que nessa relação não há amor, talvez, alguma coisa parecida, mas não amor. Duas palavras resumem a essência do amor: cuidado e gratuidade. Enfim, quem ama é amado.
Amor X Paixão
Eu gostaria de fazer algumas considerações do que vem a ser afeto, paixão e amor.
Muitas pessoas acham que são sinônimos, com o que não concordamos. Afeto e paixão são princípios do amor, mas que não levam necessariamente ao amor. Afeto e paixão são sentimentos gratuitos, basta senti-los. Amor não. Amor é um sentimento que vem de uma construção, capaz de propiciar infinitos e incomensuráveis benefícios, mas tem um custo também muito significativo. Por isso, muitas pessoas preferem ser amadas ao invés de amar. Muitas pessoas dizem que amar é importante, mas confundem querer ser amadas com amar o outro. É fundamental que façamos uma distinção entre sentir amor e fazer amor. Fazer amor é construir uma relação conjugal amorosa de troca. Nas outras formas de relação de amor (filhos, colegas, etc.), a troca está implícita. Fazer amor não acontece em via única, ao contrário de paixão e afeto. Na construção do amor, a via é sempre dupla: você ama quem te ama.
A paixão acaba (tem que acabar) para o relacionamento continuar, o que não pode terminar é o processo de enamoramento (um constante movimento de namorar-se) que só se mantém se existir amor entre os pares.
Existiriam diferenças entre jovens e velhos amantes nesse aprendizado do amor? Nunca vou esquecer uma mensagem de um belíssimo filme – Colcha de retalhos - que ficou na minha memória para sempre: “Jovens amantes procuram a perfeição. Velhos amantes aprendem a arte de unir retalhos e descrevem a beleza na variedade das peças”.
Gerson Lopes