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Aspectos psicológicos do homem com ejaculação rápida.
Quando nos deparamos com uma dificuldade sexual ela acaba sendo avaliada como uma situação de falha e fracasso, destacando-se a elevada frustração vivida pelas partes envolvidas. Entretanto, pouco se reflete sobre o que pode ter influenciado e interferido de forma importante e até determinante para que a situação não tivesse acontecido com sucesso e dentro de condições satisfatórias.
Quando a ejaculação acontece de forma rápida, além de frustrar, traz um sentimento de mal-estar tanto para o homem quanto ao seu par, que se vê numa situação delicada de insatisfação e sem poder manifestá-la e até reivindicar a continuidade da relação interrompida pela indesejada ejaculação rápida do parceiro.
Nestas circunstâncias, por mais que o relacionamento seja de bom diálogo e entendimento, é remota a probabilidade de, numa próxima situação, a relação acontecer de forma diferente, ou seja, mais duradoura; assim passa-se a viver um ciclo vicioso em que, por mais que se esforcem, a ejaculação continua acontecendo de forma rápida sem que haja aproveitamento da situação ou controle, frustrando novamente.
Muitos fatores psicológicos têm papel importante e determinante neste processo repetitivo, porém, vou descrever os mais importantes e comuns; e podem estar presentes simultânea ou isoladamente; ou seja, dependendo do indivíduo um fato isolado pode ter papel preponderante e em outro, várias situações podem influenciar na ocorrência da ejaculação rápida.
Quando se fala de fatores psicológicos, imediatamente as pessoas associam com questões enigmáticas ou misteriosas da mente humana, porém sempre procuro abordar o psiquismo como o elemento que está presente em toda e qualquer situação de nossas vidas. Usando como exemplo a ansiedade, que é um sentimento comum aos homens que ejaculam rápido, não basta saber que ela existe, mas sim perceber como ela se manifesta nas atividades do cotidiano. Como é a expressão física e emocional da ansiedade? Não me basta saber que tenho ansiedade; é importante que se observe e perceba como ela influencia comportamentos, pensamentos; como altera o nosso corpo e o seu funcionamento; e é isto que a terapia sexual proporcionará.
Certamente no momento da intimidade sexual esta ansiedade também se faz presente trazendo estes mesmos desdobramentos no organismo do indivíduo, porém quase sempre de forma imperceptível.
Os papéis sexuais
Qual a origem desta ansiedade que por vezes tanto nos atrapalha?
Organizando cronologicamente, vamos pensar no desenvolvimento sexual, ou nas primeiras estimulações sexuais, como a masturbação, lá na adolescência: por brincadeira entre amigos ou por curiosidade individual o homem se masturba aceleradamente e várias vezes. Este aprendizado acontece em competições entre meninos sobre quem ejacula mais rápido ou mais vezes num espaço de tempo e obviamente este passa a ser um registro importante na sua vida. Quando acontece solitariamente no quarto ou no banheiro, está correndo o risco de ser flagrado por alguém da família, o que certamente faz com que ele se volte para a masturbação objetivando a rapidez no prazer da ejaculação e não todo o prazer que a situação possa lhe proporcionar.
Ainda na fase da adolescência, nos grupos de rapazes, as conversas não se voltam para a valorização do momento e do prazer vividos na intimidade ou na relação sexual, mas sim a quantidade e as peripécias das conquistas, não primando pela qualidade do sexo.
As primeiras experiências sexuais quase sempre são frutos de buscas impulsivas ou pela realização de desejos imediatos, e não na ênfase e importância das carícias e preliminares. Nestas condições cada vez mais as situações são favoráveis e propensas a uma ejaculação rápida, sem boa percepção do processo de excitação e consequentemente das condições que favorecem uma permanência maior na situação de prazer e troca.
Já adulto este homem começa a viver outra realidade ao buscar um relacionamento afetivo-amoroso, percebendo que o sexo passa a ser parte importante no processo de conquista, ou seja, do seu bom desempenho depende o sucesso ou não do relacionamento futuro; assim uma tensão a mais passa a ser agregada à situação sexual, não bastassem as ansiedades naturais de uma primeira relação com uma garota que conheceu recentemente ou que por vezes acabou de conhecer.
Somam-se a isso tudo um ritmo de vida estressante, com elevado grau de exigência profissional ou outras atividades diárias (academia, malhação, esportes radicais, aula de pós ou especialização ou mestrado, etc.), comuns aos dias atuais.
Existem também os jovens que assumem compromisso cedo, sem viver muito experiências sexuais e por esta falta ejaculam rápido sem sequer se dar conta só percebendo quando a parceira manifesta sua insatisfação.
Em alguns homens, frente a determinadas situações sexuais, desenvolvem um estado emocional transtornado que foge ao seu controle, fazendo com que a ejaculação rápida seja inevitável, decorrente de um envolvimento insuficiente com a parceira e/ou pela dificuldade de percepção dos estímulos eróticos que a situação esteja lhe oferecendo.
Quando a ejaculação rápida se repete por sucessivas vezes, naturalmente o seu enfrentamento e superação se dificultam também, pois não basta se dar conta deste histórico ou do emocional influenciando desfavoravelmente; é preciso promover mudanças internas (psicológico) e externas (comportamento), porém de forma direcionada e estruturada; daí a importância de se procurar um profissional especializado em terapia sexual que propiciará condições para um processo terapêutico focalizado na dificuldade sexual.
A terapia sexual objetiva as questões que têm papel direto ou indireto de influência nas condições vividas na intimidade sexual, buscando estratégias, atividades, exercícios, técnicas e outros recursos que favoreçam as mudanças e que consequentemente levem à superação da ejaculação rápida. Portanto os homens que vivem pressionados ou angustiados pela ejaculação precoce não devem deixar de procurar um terapeuta sexual, não há razão para continuar a viver a relação sexual sem satisfação própria e do par. Vida sexual saudável é vida sexual com prazer para os dois envolvidos.
Eduardo Yabusaki – colaborador do site. Psicólogo e Psicoterapeuta, terapia sexual e terapia de casal.