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Curso sobre Educação sexual dos filhos (da infância à adolescência)
Onde tudo começa...
Não dá mais para dizer à criança que bebês vêm em bicos de cegonhas. Eles resultam de algo infinitamente mais belo: a relação sexual entre um homem e uma mulher que se amam e que desejam um bebê.
A relação sexual é uma das formas de encontro sensual entre as pessoas e, ao contrário dos discursos moralistas, não tem a reprodução por finalidade principal. Antes de qualquer coisa, traduz (ou deveria traduzir) na comunicação entre duas pessoas que desejam mostrar espontaneamente o seu amor, uma pela outra. A relação sexual, resultando na penetração do pênis na vagina, não é a única forma de encontro sensual. Beijos, carícias, toques e, às vezes, olhares são outras formas.
Quando a relação sexual resulta em gravidez, esta deveria ser a expressão da nossa vontade e capacidade em receber um bebê.
Quem sou eu?
No início da vida, a criança vai aprender a se identificar como homem ou como mulher. É isso que se chama identidade sexual.
A presença de fatores biológicos pré-natais na formação da identidade sexual ainda não foi confirmada.
A construção da identidade sexual se dá no nível biológico (ao nascimento) pela presença do pênis (em meninos) ou vagina (em meninas); no nível psicológico (até os três anos) pelo aprendizado que homens têm pênis e barba e mulheres têm vagina e seios; no nível social a criança aprende o que pode ou não pode fazer devido ao fato de ser homem ou mulher.
Os papéis sexuais
Ninguém nasce mulher (ou homem), torna-se mulher (ou homem). E nossa cultura determina papéis diferentes para homens e mulheres.
A gente começa a ensinar esses papéis para as crianças a partir da cor do enxoval do bebê: rosa para meninas e azul para meninos. E por aí vamos, vida afora, afirmando e reafirmando o que é bom para homens e o que é bom para mulheres.
As meninas aprendem a sentar de pernas fechadas (“fecha as pernas, menina; isso não é jeito de mocinha sentar!”), a se enfeitar para ficarem bonitas para os outros, a se vestir de maneira atraente e a se comportar de forma sedutora; por outro lado, são desestimuladas a atitudes agressivas e de comando. Os meninos aprendem a mostrar seus órgãos genitais como prova de sua masculinidade (“mostra os documentos, meu filho”, “é um meninão do saco roxo”), são estimulados a serem ousados e determinados, além do fato de que fazemos “vista grossa” para a satisfação da sua curiosidade sexual.
Gerson Lopes e Mônica Maia