Artigos
O tempo na sexualidade feminina
De uma maneira geral observamos o relato de valorização das preliminares mais da mulher que o homem (isso vem mudando através dos tempos). Podemos afirmar que as mulheres valorizam no sexo o “antes” e o “depois” tanto quanto o “durante”.
Quando falamos do “antes”, estamos dizendo dos carinhos, das carícias e “brincadeiras” - em outras palavras, das preliminares. O “durante” seria o coito em si, e o “depois” o período pós-coito (de relaxamento e continuidade dos carinhos).
Porém, não há como vivenciar estes dois momentos, o “antes” e o “depois”, se o homem tem DE, principalmente quando este valoriza o “durante” mais do que o “antes” e o “depois”.
A valorização, principalmente das preliminares, acaba por se tornar quase uma regra para a vivência de uma vida sexual feminina satisfatória. Apesar de homens e mulheres divergirem sobre a importância dessa fase, observa-se que ambos entendem que um dos fatores que implicam em uma preliminar satisfatória é o tempo.
Em recente estudo com 152 casais onde foi utilizado um questionário, observou-se que, dos entrevistados, tanto homens quanto mulheres relataram que gostariam de dedicar mais tempo às preliminares do que o fazem realmente (Miller e Bayers, 2004). Este é reconhecido como um elemento fundamental que deve estar presente a fim de se dedicar melhor a preliminares mais satisfatórias, porém nem sempre está presente nas relações.
Ter um período maior à sua disposição para investir na relação sexual significaria, para as mulheres: mais espontaneidade, mais liberdade a fim de tomar a “iniciativa” (ser ativa e instigar o parceiro a ter relação, e não o contrário), menos necessidade de se submeter ao momento específico em que o homem fica ereto para poder ter relação, etc.
Já para os homens, ter um tempo maior a fim de poder se dedicar na relação com a parceira significaria, essencialmente, em “responsabilidade”. De uma maneira geral os homens são levados, pela cultura, a não valorizar tanto o tempo como fator primordial a fim de uma vida sexual satisfatória. Em alguns casos acontece inclusive o contrário quando, por exemplo, os meninos aprendem desde cedo a “ejacular depressa”, em competições com outros garotos para ver quem consegue chegar ao orgasmo mais rápido. A atividade sexual para o homem, além disso, é vista desde o seu início com “naturalidade”.
Dessa forma ele teria uma facilidade maior de se satisfazer sexualmente, sem necessariamente ter mais tempo à sua disposição para que isso aconteça. Em suma, de uma maneira geral, a atividade sexual no universo masculino, a fim de ser satisfatória e prazerosa, nem sempre depende do fator tempo para atingir seu objetivo. A da mulher, por outro lado, se apóia mais nesse elemento.
No entanto, se sabe também que alguns homens, até mesmo por vaidade, sentem a necessidade de agradar e dar prazer à parceira. Dessa forma, indiretamente o tempo também se torna fator importante na vida sexual masculina (lembrando também das vezes em que o homem se sente mais pressionado a ficar ereto, principalmente na presença de DE).
Quanto mais tempo tiverem disponível para si a fim de se engajar com calma e tranqüilidade na relação sexual, mais chances o casal terá de ficar satisfeito (homem e mulher). Porém, com a rotina corrida do dia-a-dia, nem sempre terão esse tempo disponível e, quando isso é possível, nem sempre o desejo será desperto na mesma sintonia.
Pensando assim, um medicamento que ofereça a vantagem de um tempo maior para se dedicar à atividade sexual, sem tanta pressão para que esta aconteça antes que cesse seu efeito, acaba por ser vantajoso também para a mulher. A tadalafila, neste sentido, é a droga facilitadora da ereção que melhor atinge essa função.
Por fim, observamos que a satisfação sexual em um casal depende não só do homem e não só da mulher.
As disfunções sexuais de um podem se refletir no outro, assim como o bom desempenho estimula e motiva o outro. É importante que o casal esteja em sintonia, e que os interesses da mulher tanto quanto do homem sejam considerados. As disfunções sexuais da mulher não constituem um fator “isolado” na relação de casal.
Em alguns casos podem ser conseqüência de questões mais “enraizadas” no passado de aprendizado sexual da mulher, porém, muitas vezes é o reflexo de uma falta de “sintonia” com os desejos e momentos do parceiro. O contrário, da mesma forma, pode se dar - quando as DSF acabam por desencadear disfunções também no parceiro. A busca por uma atividade sexual mais prazerosa e satisfatória parte da iniciativa e motivação de ambos - é necessário que os dois estejam empenhados.
É preciso que o casal trabalhe, em primeiro lugar, a comunicação a fim de determinar juntos seus objetivos e necessidades na elaboração de um melhor plano de ação.
Buscar a ajuda médica é o primeiro passo quando não obtêm sucesso a sós. No consultório médico o profissional poderá direcioná-los melhor, orientando e apresentando meios diversos que podem facilitar e colaborar para atingirem sua finalidade: o prazer sexual de ambos.
Gerson Lopes