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Sexo e Sexualidade: Sinônimos?
O sexo é uma função dos órgãos genitais, um fenômeno fisiológico para satisfazer o instinto. Existe também sem a participação da relação, sem uma união afetiva. Entretanto, a sexualidade tem uma dimensão tipicamente pessoal e humana. Claro que também compreende o sexo, porém o supera e transcende, chegando a um contexto muito mais rico de valores. Sobrepõe-se aos limites do impulso genital, que não é mais que um dos muitos elementos de uma relação sexual em que intervém sobretudo a afetividade, a fantasia, a emoção e a comunicação. Entende-se também por sexo, o conjunto de características anatômicas e fisiológicas que determinam que os indivíduos sejam masculinos ou femininos
A sexualidade é uma forma de comunicação que pode ser aprendida, controlada e dominada pela consciência, a vontade e a liberdade dos indivíduos. É também a linguagem de entendimento do casal e têm múltiplas formas de manifestação, segundo a idade, sexo, costumes, valores e normas existentes.
Parte importante da vida das pessoas, a sexualidade tem sido sempre fonte de preocupações, mitos e crenças, na maioria das vezes distorcidas. É preciso ter em conta que se sexualidade é expressão de amor, ternura, afeto e abertura frente à vida, também pode ser utilizada como ferramenta de exploração e abuso da pessoa humana.
O sexo tem sido intensamente explorado pelos meios de comunicação, principalmente nos últimos 20 anos, tanto com a finalidade de alcançar picos de audiência como de fazer marketing de produtos variados. A televisão é o principal comunicador de massas da atualidade, conseqüentemente educa, cria padrões e dissemina informações. Infelizmente, um meio com tal capacidade tem sido usado freqüentemente de maneira inadequada, gerando deseducação, repetindo padrões irreais e omitindo e/ou deturpando informações.
Definitivamente, a televisão transformou-se na principal fonte de deseducação sexual para adolescentes, pois veicula o sexo com pouquíssimas referências sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST) e sua prevenção, além de passar mensagens como “adultos não planejam sexo” e “adultos não usam contraceptivos”.
O que fazer frente a essa questão? Desligar o aparelho não é a solução, e sim discutir o que é realidade e o que não é pode ser mais enriquecedor. A TV quando bem utilizada pode promover uma grande abertura para o diálogo e a aproximação entre pais e filhos.
Entretanto, não podemos nos esquecer que, se a televisão e outros meios de comunicação ocuparam esse espaço, é porque ele estava vago. A família (principalmente), a empresa e a escola precisam retomar o seu papel de verdadeiros educadores das crianças e dos adolescentes. A informação clara, verdadeira, desmitificada e dentro de um contexto de afeição e compreensão é a nossa principal arma contra os possíveis danos que os meios de comunicação podem provocar.
Gerson Lopes