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Sexualidade e Câncer
O binômio sexualidade e câncer implicam não só em luta pela vida, mas também em luta pela qualidade melhor de vida.
Sexualidade é receber e expressar afeto, contato, sensação prazerosa e gostosa, é o brincar e a intimidade com o outro e com nós mesmos. Sexualidade são também os toques, abraços, gestos e as palavras que transmitem prazer. Assim, sexualidade é um conjunto de fenômenos prazerosos, antes de ser o coito propriamente dito.
A sexualidade humana é como uma “coluna de sustentação” importante em nossas vidas, regida por aspectos físicos, psicológicos e sócio-culturais, que devem estar íntegros e integrados.
Sabemos que hoje em dia a estética é tão importante quanto a função por isso o surgimento de algum tipo de câncer capaz de modificá-la é muito traumático. Alguns tipos de câncer ocasionam modificações físicas além de funcionais que podem impactar a vida de uma pessoa/casal, trazendo conseqüências pessoais ou conjugais.
Uma pessoa acometida por um câncer geralmente sofre varias alterações possíveis, tanto psicológicas, quanto hormonais e fisiológicas. É importante ressaltar que muitos desses transtornos são passageiros e outros podem ser minimizados ou eliminados com apoio médico e terapêutico, mas são problemas reais e que merecem atenção.
Existem dois aspectos importantes para a compreensão da vida sexual dos que sofrem de qualquer tipo de câncer. O primeiro aspecto está na reação frente à descoberta dessa doença, geralmente a pessoa que se descobre portadora de câncer passa por estágios emocionais como negação, medo, raiva e depressão, e nesse primeiro momento a atividade sexual sofre seu maior impacto. Outro aspecto fala de possíveis intervenções médicas, muitas vezes cirúrgicas ou tratamento quimioterápico e radioterápico, que podem diminuir muito o desejo ou fazer com este desapareça totalmente, prejudicando também as fases da resposta sexual, excitação (ereção no homem e lubrificação na mulher) e orgasmo. Todo esse processo pode ocasionar afastamento do casal, por isso, o apoio médico e psicoterápico nesse momento, é fundamental, no sentido de ajudar a superação das dificuldades, assim como o encontro de novas formas de convivência íntima. A comunicação é essencial e o aconselhamento e reeducação sexual por um terapeuta ou sexólogo são de grande utilidade.
A pessoa com câncer muitas vezes deixa a sexualidade para um segundo plano, pois se vê com menos estima, e muitas vezes passando a não mais corresponder às demandas sexuais do (a) parceiro (a), fazendo com que os relacionamentos acabem por se complicar, principalmente quando não há diálogo.
Um aspecto importante a ser considerado é a possibilidade de o câncer atingir áreas genitais ou outras regiões que possam afetar de forma direta o desempenho da atividade sexual como, por exemplo, os casos de câncer de vulva e vagina na mulher e de câncer de pênis e próstata no homem. De forma indireta, a sexualidade pode ser comprometida, como no câncer de mama, que por ser mais aparente pode causar muitas complicações na auto-imagem diminuindo muito o desejo de se expor ao parceiro.
O câncer afeta a vida de um casal em várias dimensões. O casal deve procurar formas de adaptação que visem intimidade e cumplicidade. Com a estabilidade da doença, o desejo sexual retorna e passa a ser novamente importante. E para isso, apoio médico e psicoterapêutico é fundamental.
Mônica Mafra - colaboradora do site www.vinhoesexualidade.com.br