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Em busca do prazer constante
Dr. Gerson Lopes avalia um vinho, uma de
suas paixões além da ginecologia
"Diz a lenda que quando alguém escolhe a obstetrícia é porque deseja muito lidar com vida e não apenas com doença. E eu não consigo imaginar uma vida sem prazer, daí o meu interesse pelos vinhos, pois eles são inesgotável fonte de prazer". É assim que Gerson Lopes, sexólogo desde 84 e ginecologista e obstetra desde 89, explica sua paixão pela bebida. Hoje, Dr. Gerson não faz mais partos: seu conhecimento pelos vinhos ocupou o espaço da obstetrícia. Há seis anos é colunista (de vinho) do principal jornal de Minas Gerais, o Estado de Minas, tem um site sobre o tema (www.vinhoesexualidade.com.br), presta consultoria para mercados gourmets, participa de três confrarias em Belo Horizonte e estuda muito sobre o assunto por meio de livros, revistas internacionais, sites. E sobra tempo para a ginecologia? “Sim, claro. É a minha primeira paixão profissional. E digo logo que, se o vinho começar a dar trabalho, deixa de ser prazeroso, daí eu largo”, diz, em tom de brincadeira.
O envolvimento com a bebida levou o médico a se tornar um enoturista de carteirinha. Dr. Gerson já viajou o mundo conhecendo as principais vinícolas. De Portugal à França, passando pela Espanha, Itália, África do Sul, EUA. Na América do Sul conhece bem a região do Vale dos Vinhedos, no sul do Brasil, além de vinícolas no Uruguai, no Chile e na Argentina. “O Brasil não fica devendo em nada em estrutura para receber os enoturistas”, afirma ele.
Dr. Gerson em visita a vinícolas argentinas
A última ‘enoviagem’ foi em Madri. O médico descobriu que no Museu do Prado há um programa de visitas ligando arte e vinho, e, durante um congresso em abril na cidade espanhola, ele conseguiu participar da visitação
“Foi ótimo. Foram-nos mostradas obras de pintores que têm algum quadro ligado ao tema vinho, com explicações sobre a pintura, o período em que ela ocorreu. Foi uma visita específica, mas uma viagem no tempo e na história”, conta ele. Impossível não sair do museu e brindar as horas de aula com uma taça de vinho espanhol.
Quando o assunto é preferência, espanhóis, italianos, chilenos e brasileiros que nos desculpem, mas os franceses são fundamentais para o médico. “Os das regiões de Bordeaux e da Borgonha são meus vinhos preferidos. Estou cansando dos chamados ‘blockbusters’. Eles me tocam mais ao fígado do que ao coração”, diz. Por isso, o médico tem se voltado cada vez mais ao tradicionalismo.
Degustando vinhos em companhia de amigos
Além das enoviagens, o vinho descortinou outro universo para Dr. Gerson: a enogastronomia e as amizades sinceras. “Vinho está associado à boa comida e a amigos fiéis. Os amigos conquistados por meio desta bebida são fantásticos. Há sempre uma excelente desculpa para se encontrar: degustar uma garrafa deste ou daquele vinho”, diz. Além das amizades, Dr. Gerson descobriu nesses anos todos que a bebida de Baco é fonte inesgotável de conhecimento e de qualidade de vida. “O mundo anda meio ‘brochante’, então ao invés de procurar os ansiolíticos para a vida ficar menos triste, melhor buscar algo mais saudável para relaxar. O vinho proporciona isso ao aproximar as pessoas, oferecer conhecimento de história, geografia e de alimentos. Isso é uma fonte rica e constante de prazer!” Ou, no mínimo, um refúgio onde aplacar as angústias da vida moderna.
Patrícia Cerqueira