Copos ou Taças
Um grande champanhe pede taças em flauta mais larga.
Os copos ou taças põem o vinho em contato com a visão, o olfato e o paladar como também salientam de forma clara as suas qualidades ou os seus defeitos. Ao degustar um vinho, a escolha cuidadosa do copo é fundamental, pois o desenvolvimento de seu aroma, durante o processo de degustação, dependerá muito do formato de seu copo. Num copo de vinho alto e estreito, o aroma chega concentrado ao nariz. Ainda mais quando fazemos girar o vinho dentro do copo antes de cheirá-lo. As sacudidelas, que não são produtos de afetação, fazem aumentar a volatização dos elementos aromáticos, forçando o odor a sair, quando este teima em não aparecer. Em um grande copo de vinho tinto, o vinho pode respirar e entrar em contato com o ar. Só assim o seu bouquet pode se expressar. Sem dúvida, o aroma completo e complexo do vinho é, em grande medida, influenciado pela escolha do copo correto. Diria mais, não só o aroma, mas também a visão e gosto ganham sobremaneira com o copo adequado.
Visando maximizar as virtudes dos vinhos, muitos fabricantes buscam produzir o copo mais apropriado aos distintos tipos dessa bebida maravilhosa. Um copo de vinho genérico, quer dizer, aquele não especialmente desenhado a um tipo de variedade de uva, deve ter algumas características básicas, para reproduzir da melhor forma o caráter e as qualidades do vinho: bom tamanho, ser liso, incolor, ter pé alto e com diâmetro de boca menor que do corpo para facilitar a análise olfativa. O copo "ISO"(International Standard Organization) oficial para degustação foi criado para a percepção técnica do vinho. Não foi criado para destacar elementos específicos de cada uva/vinho. Sem dúvida, "é o melhor para todos os vinhos, porém não é o melhor para nenhum em concreto" (Garcia del Rio). Evitem copos coloridos, lapidados, de pés e volumes pequenos, de vidro ou de estanho. Aquela clássica taça de champagne, que dizem as más línguas, modelada em um dos seios da rainha Maria Antonieta da França, de forma larga e achatada, também deve ser evitada, pois desperdiça os aromas, não permite ver a formação das colunas de bolhas de gás carbônico, além de entornar facilmente o seu precioso conteúdo. Opte sempre por um copo ou taça flute em forma de tulipa ao degustar um espumante ou champagne.
Por que, de modo geral, as taças de vinhos brancos têm menor volume que as dos tintos? Isso está relacionado à necessidade de degustar o vinho na medida certa de temperatura. Pelo princípio do equilíbrio térmico, tão logo o vinho chegue à taça, começa a esquentar, pois a temperatura nesta é a do ambiente (nunca esfrie a taça como o copo de chope, pois isso vai atrapalhar a visualização). Portanto, quanto maior é o copo, mais rapidamente o vinho irá esquentar. A proposta dos vinhos brancos é de aproveitar o seu agradável frescor, por isso devemos servi-lo a uma temperatura mais fria, daí a necessidade de copos menores que conservem a temperatura do vinho. Os grandes vinhos brancos devem ser servidos em copos maiores, enchendo-os pela metade (ou menos), possibilitando que o vinho seja rodado ou girado, para que possamos desfrutar dos seus mágicos bouquets.
O copo talvez seja o principal instrumento para a degustação do vinho. Pode enaltecê-lo, assim como destruir todo um longo e magnífico trabalho de enologia. Quanta alma e história existem por trás de um grande vinho. Por isso, um copo ou taça inadequado pode abalar todo este trabalho, afetando ou não realçando o que de melhor a "espécie" pode oferecer.
Gerson Lopes