Do Beber ao Degustar
Quando você está com sede, bebe água. Quando procura "prazer", bebe vinho. Porém, não se deve apenas beber vinho e, sim, degustá - lo.
Como diz Fernando Garcia Del Rio, em sua magnífica obra: "El Libro del Catador de Vinos" - o catador (degustador) no "nace" sino que "se hace". Algumas coisas podem afetar nossa capacidade de análise sensorial (perfume, pouca luminosidade ambiental, etc.), dentre elas gostaria de destacar o tabagismo. É mais um motivo para você deixar de fumar. Parafraseando um provérbio espanhol que diz: "Si el vino perjudica tus negocios, deja los negocios"; diria que "se o cigarro atrapalha o seu vinho, deixe o cigarro".
Um bom saca-rolha é indispensável a um bom serviço do vinho. Estes acima são apenas históricos.
A "operação" de degustação deve ser feita com taças apropriadas (transparentes, com pés longos) e com uma quantidade de vinho nessa taça equivalente a aproximadamente 1/3 da mesma (máximo a metade). Isto permite que os aromas se volatizem no seu caminho ascendente e se concentrem na sua parte alta. Muito vinho nos dificultaria mover a taça (manobra que aumenta os odores) e possibilitaria uma menor concentração de aromas na parte superior dela. Uma quantidade pequena pode ser insuficiente para apreciar o vinho.
Do mesmo modo, existem temperaturas ideais para a prática da degustação. Os vinhos brancos, antes de serem servidos, devem ser guardados na geladeira (parte de baixo, deitados, onde se guardam verduras e legumes), nunca no congelador e, quando forem para a mesa, deve-se mantê-los em um balde de gelo com um pouco de água fria. Os tintos jovens ou de estágio curto podem e devem ser "resfriados" no balde de gelo (5 a 8 minutos no balde ou na geladeira por mais tempo na parte baixa).
As condições ideais de temperatura e, às vezes, a aeração (abri - lo pouco tempo antes, ou de preferência, colocá-lo em um decanter), faz com que o vinho se "abra", isto é, leva - o a um crescimento de suas características. Pode - se perceber que a escala de temperaturas ideais tem alguma correspondência à ordem que se apresenta nas garrafas no decurso de uma refeição. Mais frescor no início - espumantes (brut), brancos secos ou Porto; mais quentes quando chegar aos tintos. De modo geral, tintos, quando frios, mostram um gosto metálico (tanino) e, quando quentes, exacerbam o álcool. Um branco em uma temperatura alta perde o seu frescor, características das mais admiradas.
Gerson Lopes